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Alma do Diabo

Alma do Diabo

Diabopédia

16.11.25

José Hermano Saraiva

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É um ser conhecido por ter sido o espermatozóide eleito entre mil na profícua colheita de seu pai. Fruto de uma família de génios. Entre advogados, historiadores, reitores e professores, todos se confundiram um pouco, tendo que, todos eles “quase” deixaram de ter nome próprio. Conhecido  pelos seus programas televisivos de entretenimento ao final da noite. Foi grande amigo de figuras do antigo regime, tendo comungado várias vezes com Salazar, Américo Thomaz ou Marcelo Caetano, depois de 1974 nunca mais falou com nenhum. Deu clareza a todos os portugueses quando afirmou que nunca vivemos num regime fascista, o que deu alento a todos os que pensavam que tinham sido violentados por fascistas. Por ter sido concebido num coito do Estado Novo teve de se adaptar ao Estado democrático, continuando a ser uma figura destacada, o que mostra que teve de lutar por uma vida melhor, mesmo num estado hostil aos seus valores. Ao que parece, esta continuidade foi possível por alguma confusão de qual dos Saraivas seria e, para evitar confusão, o povo esqueceu-se dele. 

Já para o final da sua portentosa carreira era conhecido por bater castanholas em directo, na televisão pública, através da dentadura enquanto apresentada um dos seus programas de entretenimento. Foi por essa altura que cometeu um deslize e teve um filho ilegítimo, a quem deu o nome de Rui Ramos, trocando-lhe o apelido para disfarçar. 


Lugar-Comum

10.11.25

O novo baptismo dos modernos: o lugar-comum. O lugar quê? A procura do ordinário. O acto de não pensar. Escolher o grupo. O acto da escolha fácil e mais acertada. Entrar na multidão é garantia de segurança. A demanda do mundo rumo à perfeição: a facilidade de enquadrar uma ideia como certa. A bússola da moralidade. Estudar agora é bom, já não é necessário ler calhamaços. Bastam resenhas. Qual resenhas, qual quê, títulos bastam. Com um título se tem uma nova certeza. Mas, antes de cada título que se mastigue bem. Uma leitura sem enxaquecas o resultado da civilização. Um bem haja ao lugar-comum. Hossana. Com esta graça, o espírito liberta-se. Pensar não é cansativo, aliás, não é preciso pensar. Viver como verdadeiro animal. A única preocupação do animal, não pensar, apenas sentir. O que precisas? Come. O que precisas? Bebe. O que precisas? Corre. Eis alguém afastado da santidade. Está isolado. Parece olhar em redor. Olha de longe e não se envolve. Parece querer falar. A multidão chega perto, ouvem qualquer coisa. Ele pergunta “Porquê?”. Devoram-no.

Impressões em mais de três linhas

A minha vida com o Doutor Francisco

02.11.25

 

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Não queria, depois de uma semana de louvores à figura carismática do Drº Francisco Pinto Balsemão, deixar passar tal data, sem prestar a minha homenagem e agradecimento. 

O Doutor Francisco Pinto Balsemão foi para mim o eterno Presidente da democracia portuguesa. Governou o quarto-poder antes de haver democracia, numa unanimidade assinalável, sem uma única crítica ao longo de toda a sua vida. Algo ímpar na vida social portuguesa e que merece uma vénia. Foi ele, o pai de todo o jornalismo fantástico que hoje pulula entre os canais televisivos e nas opiniões de todos os pasquins. Estou-lhe grato por termos o jornalismo ao nível dos melhores da Europa e do Mundo (americano). Percebi sempre em quem deveria votar e em quem deveria depositar os meus receios e as minhas críticas. Também soube entender o porquê de, por vezes, Portugal não puder ser ainda maior, dado a todas as situações externas que nos afectaram. Obrigado também por nos ter antecipado fenómenos e figuras que foram surgindo na vida política portuguesa como, providenciais para o garante e estabilidade da nação. Agradeço ainda pelo que fez pela minha moral, que gravita, ainda hoje, pela moderação apaixonada. Esse trabalho intrínseco levou-me a conseguir facilmente apontar o dedo a qualquer destabilizador da ordem, sentir onde estão os terroristas, não tolerar discursos radicais, rejeitar a crítica dos inadequados, pois o que todos querem é o mesmo, não é? Sem o Doutor Francisco Pinto Balsemão, eu não me saberia posicionar naquilo que diz respeito ao conforto. Sempre lutei, como bem me ensinou, para obter melhores condições de vida, e, com isso, recordo-me de um vez em que trabalhava como jardineiro, olhar para si e pensar, “Um dia também quero dar tacadas daquelas”. Consigo, consegui concluir que, o nosso conforto deve ser um horizonte e, quando o conseguimos, temos de nos enaltecer a nós mesmos, e relativizar o negativo das coisas, pois há sempre aspectos positivos a retirar. É graças a si que não andamos todos à pancada por nos ter ensinado tão bem a arte de pensarmos em conjunto, numa unanimidade que nos torna polícias dos maluquinhos que querem destruir a nossa construção do BEM! Sei agora, que não devemos criticar os nossos patronos, pois o trabalho deles é de uma exigência fora do normal. A ordem deve ser sempre mantida e eu posiciono-me como um agente que trabalha para essa manutenção. Tudo o que for subversivo devemos não eliminar, pois vivemos em democracia, mas ironizar e ignorar, deixando claro que, o que acontece nas sombras nunca será fundamental.

Quanto às lembranças, lembro-me de não ter estado consigo nos jogos de golfe matinais, recordo-me de nunca ter participado nos encontros do grupo bilderberg, nunca estivemos em nenhum ballet-rose, ou algo do género, também guardo memória de nunca ter estado presente nas receções dos reis espanhóis, as reuniões urgentes de queda de governos também nunca marcamos encontro, ah mas, quanto aquelas reuniões mistério com os presidentes da república eu também nunca estive presente. Como me poderia esquecer dos negócios com entidades bancárias para financiar o jornal e a televisão onde também nunca estivemos os dois presentes. Nunca nos cruzámos em nenhuma redação e esse era o meu maior sonho. De qualquer forma, e porque hoje, graças a si, Portugal é uma nação onde a percepção da meritocracia impera, acredito servilmente de que, os seus filhos levarão o legado “Pinto Balsemão” até à estratosfera. Obrigado Doutor por conseguir fazer-me acreditar na liberdade!

 

Por: Filipe Fidalgo