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Alma do Diabo

Alma do Diabo

Clarice Lispector . Eternidade

24.12.22

Clarice-Lispector-em-1961-numa-fotografia-de-Claud

“Definir a eternidade como uma quantidade maior que o tempo e maior mesmo que o tempo que a mente humana pode suportar em ideia também não permitiria, ainda assim, alcançar sua duração. Sua qualidade era exactamente não ter quantidade, não ser mensurável e divisível porque tudo o que se podia medir e dividir tinha um princípio e um fim. Eternidade não era a quantidade infinitamente grande que se desgastava, mas eternidade era a sucessão. Então Joana compreendia subitamente que na sucessão encontrava-se o máximo de beleza, que o movimento explica a forma… e na sucessão também se encontrava a dor porque o corpo era mais lento que o movimento de continuidade ininterrupta. A imaginação aprendia e possuía o futuro do presente, enquanto o corpo restava no começo do caminho, vivendo em outro ritmo, cego à experiência do espírito. Através destas percepções ela se comunicava a uma alegria suficiente em si mesma.”

 

LISPECTOR, Clarice. Perto do coração selvagem. 1ª ed. Lisboa: Relógio D’ Água Editores, 2000.

 

Por: Celeste Sampaio