Lugar-Comum
O novo baptismo dos modernos: o lugar-comum. O lugar quê? A procura do ordinário. O acto de não pensar. Escolher o grupo. O acto da escolha fácil e mais acertada. Entrar na multidão é garantia de segurança. A demanda do mundo rumo à perfeição: a facilidade de enquadrar uma ideia como certa. A bússola da moralidade. Estudar agora é bom, já não é necessário ler calhamaços. Bastam resenhas. Qual resenhas, qual quê, títulos bastam. Com um título se tem uma nova certeza. Mas, antes de cada título que se mastigue bem. Uma leitura sem enxaquecas o resultado da civilização. Um bem haja ao lugar-comum. Hossana. Com esta graça, o espírito liberta-se. Pensar não é cansativo, aliás, não é preciso pensar. Viver como verdadeiro animal. A única preocupação do animal, não pensar, apenas sentir. O que precisas? Come. O que precisas? Bebe. O que precisas? Corre. Eis alguém afastado da santidade. Está isolado. Parece olhar em redor. Olha de longe e não se envolve. Parece querer falar. A multidão chega perto, ouvem qualquer coisa. Ele pergunta “Porquê?”. Devoram-no.